O CORPO COMO EXPRESSÃO DE ARQUÉTIPOS 

 Marfiza Ramalho Reis

 

Em cada silêncio do corpo identifica-se

a linha do sentido universal

que a forma breve e transitiva imprime

a solene marca dos deuses

e do sonho.

                 Carlos Drummond de Andrade

 

Palavras-chave: corpo, psique, sincronicidade, arquétipo, auto-imagem.

 

Para além da importância de um suporte teórico e técnico, estamos sempre nos defrontando com os mistérios da relação analítica; os tantos momentos em que sentimos a insuficiência da nossa formação técnica e teórica para compreender os símbolos daquela relação.  Intentando compreender  o relacionamento “unido” entre analista e paciente, condição primeira para que se desenvolva  o processo, Von Franz (1980) constata a existência da sympathia, nesse relacionamento, referindo-se ao fato de duas pessoas partilharem juntas a mais variada gama de emoções, participarem da mesma experiência.  No entanto, embora afirme a sympathia, admite a impossibilidade de explicá-la, já que esta constitui o mistério do encontro em que a discrição se impõe, como ocorre em qualquer outra relação de amor.

Essa experiência compartilhada nos diz que representamos a figura de transferência muito mais por gestos, mímicas ou timbre de voz do que pelo que falamos.  Jung afirmou que “o horizonte da alma vai muito além do consultório” e que só podemos ajudar um paciente a compreender-se como um indivíduo, se pudermos, na condição de  analistas, estabelecer o confronto com as idéias coletivas – a psique objetiva.

Meu interesse – despertado pelo meu processo analítico e a calatonia  (Sandor, 1974) -  está voltado para essas duas vertentes:  a arquetípica e a corporal.  Minha preocupação orienta-se no sentido de perceber melhor a “vivência intuitiva da unicidade” (Von Franz, 1980), o ponto em que matéria e psique encontram-se, pois como mostrou Jung (1917), são dois aspectos de uma mesma realidade. 

A relação sincronística entre o corpo e o universo 

Jung (1904), investigando as relações entre psicologia e fisiologia, usou galvanômetros para medir as respostas corporais durante testes de associações.  Mostrou com isso que as reações da pele mudavam, quando complexos estavam presentes.  Ele teorizou sobre as relações mente/corpo, interpretou sonhos fisiologicamente e estudou  o significado da kundalini Yoga.  Talvez o mais importante conceito de Jung sobre essa relação tenha sido sua idéia de sincronicidade -- um princípio de relações acausais. 

Como a psique e a matéria estão encerradas em um só e mesmo mundo, e além disso se acham permanentemente em contato entre si, e em última análise, se assentam em fatores transcendentes e  irrepresentáveis, há não só a possibilidade, mas até mesmo uma certa probabilidade de que a matéria e a psique sejam dois aspectos diferentes de uma só e mesma coisa.  Os fenômenos da sincronicidade, ao que me parece, apontam nessa direção.

                                                  (Jung,1917: .220) 

Os fenômenos sincronísticos demonstraram, como mostra Jaffé (1982), que o ser se baseia numa essência até agora desconhecida, que é tanto material como psíquica.  Não sendo, portanto, antagonismos irreconciliáveis o mundo exterior e o interior, o espiritual e o físico, mas aspectos do fundo psicóide da realidade em que ambos se baseiam.  Esse modelo do universo remete-nos à visão intuitiva do mundo da alquimia, à idéia do unus mundus.

A relação sincronística entre o corpo e o universo aparece nas teorias orientais, como um mapa do universo.  O ser humano é um espelho do campo à sua volta, e a estrutura desse campo é dada pela constelação de planetas ou arquétipos do tempo.   O conceito do corpo como uma manifestação do universo é também mostrado na Astrologia, onde partes do corpo são governadas pelos planetas.  Como disse Jung (1961), “... nossa psique é estruturada à imagem da estrutura do mundo, e o que ocorre num plano maior se produz também no quadro mais íntimo e subjetivo da alma”.  O homem satisfaz, segundo ele,  a necessidade da expressão mítica, quando possui uma representação que explique suficientemente o sentido da existência humana no cosmos, representação que provém da totalidade da alma, isto é, da cooperação do consciente e do inconsciente.  “A carência de sentido impede a plenitude da vida e significa portanto, doença”.

Experienciamos o inconsciente através do corpo.  O corpo fala  tanto no seu tremor, temperatura e rubor quanto na rigidez que  procura ocultar os sentimentos.  Jung, em “Nietzche’s Zarathustra”, referiu-se ao si-mesmo como corpo e psique, sendo o corpo a manifestação externa do si-mesmo e a alma, a vida do corpo.  Ressalta que, se não representarmos o si-mesmo em sua natureza ímpar, na vida, ele se rebela, manifestando-se de forma negativa em sintomas somáticos e fobias.  A linguagem corporal é como a onírica: anuncia e denuncia, fornecendo, assim, símbolos à consciência.  C. D. Andrade (1984) compreendeu essa relação ao escrever:

 

A metafísica do corpo se entremostra

nas imagens.  A alma do corpo

modula em cada fragmento a sua música

de esferas e essências

além da simples carne e simples unha

 

No Ocidente 

No Ocidente, a separação corpo/alma, levou a Ciência a investigar o corpo como uma máquina, como um organismo racional, sendo o comportamento determinado por suas partes mecânicas.  A partir do sec. XIX, começa a reverter-se a idéia de que o corpo é a soma de suas partes e a admitir-se que as partes é que são governadas pela totalidade.  A Medicina já admite que as patologias dependem da relação psique/soma.  Hipócrates, o pai da moderna medicina, também acreditava em energias corporais – o Enormon e o Physis,  que eram os poderes responsáveis pela força bruta natural do corpo e a habilidade para curar-se.  Meier, citado por Jaffé (1982), aproveitou a idéia do corpus subtile para esclarecer as relações psicossomáticas.   Sugere essas relações como fenômenos sincronísticos; “o arquétipo ordenador seria algo integral ou uma inteireza tanto física como psíquica, enfim um corpus subtile”.

Reich redescobriu a idéia  de energia do corpo sutil, buscando maior conhecimento sobre os fundamentos da vida humana dentro do dinamismo universal que ele chamava “o oceano cósmico de energia orgônica”.  Para ele, cada músculo rígido contém a história e o significado de sua existência, expressando conflitos latentes.

Pesquisadores de biofeedback, hoje, creditam a Jung a descoberta do que chamam Skin talk, que, embora empregando instrumentos para amplificar os sinais corporais, tem semelhanças com as meditações orientais, sendo seu objetivo o controle dos sinais somáticos.

Mindell (1984) fala do Dreambody como sendo uma sensação corporal interna conectada a fantasias, tendo como sinônimo Shakti , Kundalini, Mercúrio e Chi.  Para ele o Dreambody é criado pelas experiências individuais, descrições pessoais de sinais, sensações e fantasias que não estão necessariamente de acordo com as coletivas definições materialísticas.

A idéia de imagem corporal foi elaborada por Shilder (1950) no seu esforço de integrar o pensamento biológico e o psicanalítico.  Define a imagem corporal como “a imagem que formamos mentalmente do nosso corpo, o modo como o vemos”.  Segundo ele, há sensações que nos são dadas, vemos parte da superfície do corpo, temos impressões táteis, térmicas e de dor.  Há sensações que vêm dos músculos e seus tecidos circundantes, indicando deformações dos músculos; sensações provenientes das inervações dos músculos e sensações provenientes das vísceras.  Para Shilder, as sensações provenientes do interior do corpo não têm significado intrínseco antes de serem conectadas à imagem corporal.

Todos nós temos uma imagem mental de nossa própria aparência  que é algo mais que uma imagem no espelho, e pode ou não aproximar-se  muito da nossa aparência real.  A imagem do corpo abrange a visão que temos de nós mesmos não só fisicamente, mas também fisiológica, sociológica e psicologicamente.

 

No Oriente

Nas religiões orientais, como o Budismo e o Induísmo, o corpo aparece como um instrumento para alcançar a salvação; o objetivo é transformar o corpo para transcender suas limitações e conseguir a liberação.

Na filosofia chinesa, aparece a idéia de que planetas e arquétipos simbolizam experiências, fantasias e sensações relacionadas com partes do corpo.  Deuses governam os principais centros do corpo e a doença acontece quando esses deuses retiram-se e retornam às suas residências planetárias.  Nesse pensamento filosófico, aparece a idéia de um campo de vibrações no chi, que quer dizer gás ou éter e denota a energia ou breath (sopro) que anima o universo. Os níveis do chi aparecem através do corpo: a energia vital, percebida através da respiração e da concentração sendo de fundamental importância para o treinamento taoísta do tai chi chuan.   Tai chi é traduzido como o grande extremo, o supremo, o mais alto e grandioso.  Corresponde à lei suprema do cosmos que preside a alternância e união do yin e do yangChuan refere-se ao corpo físico, à ação, e seus movimentos levam à interação do yin e do yang, fazendo circular a nossa energia e renovando os elementos do nosso corpo.

Em  “I Ching” --  o livro das mutações – sugere-se a concepção de que a totalidade do mundo dos fenômenos está baseada no antagonismo polar das energias.  O criativo e o receptivo, a unidade e a duplicidade, a luz e a sombra, o positivo e o negativo, o masculino e o feminino são fenômenos das energias polarizadas que produzem toda alternância e transformação.  A idéia é de um princípio de relação universal e harmônica entre o microcosmo e o macrocosmo.

A idéia do Tao é de um campo de força permeando o universo, fenômeno que não pode ser reconhecido e entendido.  Os depoimentos são meras referências a uma vivência espontânea indizível.  Como escrito no “Tao Te King”: “Quem o conhece não fala dele e quem fala dele não o conhece”.

Cotejando o pensamento taoista com o junguiano, podemos constatar que, para Jung, toda vivência baseia-se na atribuição de sentido e o Tao é justamente “o sentido que confere significado a tudo quanto é e, desse modo, chama tudo quanto é para a existência”  (Tao Te King).  Através de vivências, tais como meditação, relaxamento, estados hipnagógicos, imaginação ativa, em que experiências religiosas (religare) acontecem, pode chegar-se à compreensão do que os chineses chamam “realização do Tao” e Jung denomina “obtenção da vida consciente”.

No Budismo Mahayana, através do recolhimento e da meditação, chega-se a um estado no qual a psique ultrapassa o consciente, que eles chamam  samadhi.  Os  ioguis chamam de “corpo sutil” e  Mindell (1984),  de dreambody.  Para este autor, a natureza gasosa, fluídica e rítmica do dreambody experienciado por um iogui contrasta com o conceito consciente do corpo como uma máquina fantástica com um espírito oculto.  Afirma que, “como os chakras da Hatha Yoga, os circuitos, pontos e centros imaginários do sistema do corpo sutil parecem ser experiências arquetípicas que surgem em decorrência de exercícios”.   Um dos conceitos importantes para os alquimistas, que apontam para a unidade psicofísica era a imaginatio, a atividade da fantasia em relação ao opus.   Em “Psicologia e Alquimia”, Jung ressalta a importância da  imaginatio  para a compreensão  do opus (o trabalho).

 

Corpo arquetípico 

Em “O Segredo da flor de ouro”, Jung mostra que só é possível compreender aspectos metafísicos quando podemos torná-los objeto da psicologia, e que sua admiração pelos grandes filósofos do Oriente baseia-se na sua crença de que eles fazem psicologia simbólica e que seria um erro, portanto, tomá-los  literalmente. 

A idéia do ‘corpo diamantino’,  do corpo alento incorruptível que nasce na flor de ouro, ou no espaço da polegada quadrada, é uma dessas afirmações metafísicas.  Esse corpo é como os demais, um símbolo de um fato psicológico muito importante, o qual, por ser objetivo, aparece primeiramente projetado em formas dadas através de experiências da vida biológica: fruto, embrião, criança, corpo vivente, etc.  Tal fato pode expressar-se melhor pelas palavras: ‘não sou eu que vivo, mas sou vivido’.

                                                                                      (Jung, 1971 p.64 )                              

Essas vivências via corpo objetivo nos levam a pensar num “corpo arquetípico”.  Quando sinais corporais como, por exemplo, espasmos, dores e outros sintomas localizam-se em certas áreas do corpo  (estômago, membros, cabeça, coração, etc.),  podemos intuir como manifestação do “corpo arquetípico” utilizando o físico como símbolo.  Através da concentração e de técnicas corporais como o relaxamento, também surgem sensações  conectadas a fantasias que parecem expressar arquétipos. Assim, podemos considerar  a tradicional tripartição do corpo, cabeça, tronco e membros, relacionada a algumas representações arquetípicas.

Sabemos que, como não se podem descrever as funções de um órgão  sem considerar as funções de um outro, o mesmo acontece com os arquétipos.  Há uma relação vital entre eles.  Não podemos pensar na Grande Mãe e no Pai sem o Filho, e na individuação  (anima/animus) sem a pujança do Herói.  Cada situação de vida é simbólica e cada símbolo representa uma situação da vida.  Assim como o desenvolvimento corporal, o psíquico também é dirigido pela dominância transpessoal, fenômeno que chamamos de “arquétipo”.

Um completo sistema de funções psíquicas é acionado quando imagens arquetípicas são evocadas na psique.  A primeira vivência é a da Grande Mãe, e ninguém discorda da importância desse relacionamento mãe/criança, na longa caminhada da vida.  A psicologia mostra-nos que a experiência e conhecimento que a criança começa a ter no mundo e com o mundo inicia-se com o simbolismo do corpo.  A vivência tônica do recém-nascido com a mãe ou substituta é de crucial importância no desenvolvimento da personalidade.  Em “The Child”,  Neuman ressalta a importância dessa experiência não só para o indivíduo, mas também para a humanidade.  De acordo com ele, falar no caráter cósmico do corpo-imagem, no qual a criança está fundida numa unidade com a mãe e o mundo, é equivalente a dizer que o primeiro relacionamento toma lugar num campo unificado onde não há delimitação corporal como símbolo de individuação.  A participation mystique entre a mãe e a criança orienta um através do outro.

 É a fase matriarcal, cuja linguagem simbólica nos diz que a realização do desejo predomina; é a natureza espiritual da mulher, é o tempo lunar, a fertilidade, o tronco, o ventre, a matriz, o centro onde irradia a sociedade corporal.  O lugar do tan tien (centro psíquico do umbigo)  é a região central onde se cria e conserva a energia vital.  A coluna vertebral, que faz a ligação do céu e terra, é também a Kundalini com a possibilidade  de atualização do fogo serpentino (Laya-Yoga).  É o lugar do coração, do inconsciente, da intuição, dos instintos da vida e do relacionamento.  O lugar de toda fecundidade: a mulher – a Grande Deusa – matéria-prima.

Assim como as plantas, nós, humanos, retiramos nossa vitalidade, força e estabilidade da base – da mãe terra.  Sem um chão firme e sólido, como caminhar?  Como fortalecer os músculos das pernas e dos braços – ser criança – se não houver uma sustentação para agir?  Em “Pais e Mães”,  Hillman diz que “o laço original de espírito e matéria é personificado pelo abraço apertado ou pela conjunção erótica entre mãe e filho”  mostra-nos, também, que o desenvolvimento da consciência não se dá para fora da matéria (mãe) nem contra ela, mas é sempre um trabalho mercurial envolvido com ela.  Simbolicamente penso como um jogo de braços e pernas ligados ao tronco buscando o “viver”; a criança que quer experimentar, exercitar sua espontaneidade, libertar-se.

De posse da configuração adulta,  o ser humano continua a lidar com a questão da auto-imagem: seu corpo como símbolo, tanto no contexto individual quanto no social.  Todas as facetas da adaptação social e da personalidade estão afetadas pela configuração e o funcionamento do corpo, ligadas à impressão causada nos outros e em si mesmo.

Fundamental nessa caminhada é a outra vivência: a do comando do ego, um sistema diferenciado de consciência representado pela cabeça – o homem por excelência.  Seria a  consciência patriarcal que, depois da escuridão lunar, traz a luz do dia, o sol, com seu tempo quantitativo e pensamentos abstratos e científicos.

Concluindo, assim como cabeça, tronco e membros relacionam-se,  o masculino,  o feminino e a  criança completam-se na unidade do ser humano sob a regência do transpessoal: os arquétipos.

Como entender os movimentos da batuta? Às vezes são suaves, sutis; em outros momentos, fortes e agressivos, como no “Bolero” de Ravel.  Difícil imaginar sentir e ouvir essa música numa reunião social ou num  “papo de comadres”; mas ouvi-la relaxados e de olhos fechados é como se a batuta deslizasse no corpo, despertando e movimentando a energia  yinyang.  Ouvir o arquétipo ou o deus que se anuncia é voltar-se para o mundo interno, para o si mesmo e atender ao “instinto de verdade” (Von Franz, 1980), que possibilita a conexão com o si mesmo e a consciência imediata do que é certo e verdadeiro para a personalidade: a verdade sem reflexão.

Através da sua vida e obra, Jung revela que só essa atitude de coragem para ver além é que permite o encontro com forças úteis adormecidas no mais profundo do ser.  Segundo ele, a reação necessária e requerida expressa-se em representações configuradas arquetipicamente:  “O encontro consigo mesmo significa, a princípio, o encontro com a própria sombra”.  É o encontro com o outro em nós – anima/animus – comportando-se de modo autônomo e interferindo em nossas vidas como algo estranho, ora ajudando, ora perturbando, ou até mesmo destruindo, assim como os demais arquétipos.

Na difícil caminhada da vida, do sobe e desce montanhas, dos mergulhos em águas frias e quentes, da noite e do dia, paira sempre a esperança de que o velho sábio constele em nós. “O sábio” não é realizado em nenhuma personalidade histórica; na realidade, trata-se de uma idéia que ultrapassa o tempo e da qual cada um pode participar na medida da sua concordância interior. Em certo sentido, o sábio é comparado à idéia judaica do Messias.

Se, em cada ser humano, mortal e limitado, habita a esperança de realizar um dia o ideal -- a constelação do sábio --, a trajetória da vida transforma-se, então, numa vivência de espera.  “Devemos deixar as coisas acontecerem psiquicamente.  Eis uma arte que muita gente desconhece” (Jung, 1971), mas sobre a qual fala a sensibilidade poética de Adélia Prado (Tulha ): ... “Mais belo que o épico é o homem pacientemente esperando a hora em que Deus for servido.  Enquanto isso, as andorinhas pousam nos fios, as gotas de chuva caem.....” 

 

SINOPSE

A partir da relação transferencial, a autora procura compreender o encontro entre matéria e psique, baseando-se nos pressupostos da psicologia analítica de que são dois aspectos de uma mesma realidade.  A relação sincronística entre o corpo e o universo é mostrada tanto  nos conceitos junguianos, nas pesquisas científicas do Ocidente, assim como nas teorias orientais.  Considera   algumas vivências no corpo físico – tanto as que se apresentam como sintomas quanto as provocadas a partir de técnicas de exercícios corporais --  como possíveis manifestações do “corpo arquetípico”.  Assim, relaciona a tradicional tripartição do corpo cabeça, tronco e membros a representações arquetípicas e à sua predominância no desenvolvimento da personalidade.

 

ABSTRACT 

Departing from  tranference relationship, the author tries to understand the conection between matter and psique,  based on the analytical psycology premisses that both are aspects of the same reality.  The synchronicity relationship between the body and the universe is depicted not only in Jung concepts, but also in Western scientific search, as well as in oriental theories.  The experiences of the physical body are regarded as possible reflections of the “archetypal body”.   The procedure thus entangles the traditional division of head, body and members to archetypal representations and importance in the developed   of personality. 

 

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